“O caminho faz-se caminhando.”

No dia 14 de janeiro de 2023 iniciei oficialmente a formação em Psicoterapia EMDR. Foi o ponto de partida formal de um percurso que já habitava em mim há anos mas que, nos últimos três, ganhou um novo significado.

Foram três anos longos, exigentes e transformadores. Três anos em que o tempo pareceu sempre pouco. Em que os fins de semana deixaram de ser sinónimo de descanso para se tornarem espaço de dedicação à escuta, à prática, à teoria, à supervisão. Três anos em que, como psicoterapeuta e como pessoa, fui chamada a crescer.

Aprendi muito. Sobre a abordagem, sobre o trauma, sobre a mente e o corpo. Mas, sobretudo, aprendi sobre os meus limites. Sobre o que acontece quando damos tudo e ainda assim sentimos que ficámos em falta com quem mais importa.

Este foi, sem dúvida, o meu maior desafio: encontrar equilíbrio entre o que dou à minha profissão e o que quero continuar a cultivar fora dela. Sei que a minha família sentiu o impacto desta escolha. E só agora, ao olhar para trás, percebo o quanto esta etapa exigiu de mim e de nós. Talvez porque levo tudo demasiado a sério. Talvez porque ainda estou a aprender a aligeirar.

Ainda assim, não hesito em reconhecer o valor deste caminho. Porque cresci. Porque me reconectei com a minha identidade profissional. Porque reforcei limites que me quero honrar. Porque me reencontrei com uma parte de mim que, tantas vezes, fica adiada no meio das exigências.

Levo comigo muito. As trocas com colegas, algumas breves, outras marcantes. As horas de supervisão com profissionais que admiro. Os pacientes que me desafiaram a olhar diferente. As amizades que nasceram pelo caminho. E uma certeza que me acompanha: tenho com quem contar. E isso vale ouro.

A minha relação com o EMDR começou há quase uma década. Em 2016, fiz o primeiro contacto com a abordagem. Já então senti o potencial transformador da técnica, mas quis aprofundar. Voltei a fazer os níveis, mergulhei nos temas centrais: trauma e neurociências, modelos integrativos, abordagens somáticas, mindfulness, terapia focada na compaixão, trauma complexo, trauma transgeracional, perturbações bipolares… e tantos outros.

A Associação EMDR Portugal foi palco de formação de excelência. E estar ali, ano após ano, era ao mesmo tempo um privilégio e uma responsabilidade. Aprendi. Questionei. Reformulei.

Termino agora esta etapa com gratidão. Com cansaço também, é verdade… mas com sentido. E com aquela semente que me move desde sempre: a curiosidade.

A caminhada não termina aqui.
Mas hoje, paro um pouco para olhar para trás.
E sorrir pelo caminho feito.

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