O caminho faz-se caminhando
A 18 de março de 2009 iniciei o meu percurso em consultório.
Quem me conhece sabe que gosto de olhar para trás e contemplar o caminho percorrido, com a curiosidade e o respeito que ele merece. Esse exercício permite tomar consciência de tudo o que foi feito e recordar conquistas, aprendizagens e transformações ao longo do tempo.
Nestes 17 anos de prática clínica, há dois lemas que me acompanham e que, de certa forma, resumem este percurso:
“O sonho comanda a alma” e “o caminho faz-se caminhando.”
Durante o curso de Psicologia começou a emergir em mim uma vontade constante de aprender mais - uma espécie de insatisfação positiva que faz com que a procura de conhecimento seja permanente. Assim se iniciou um percurso feito de compromisso, verdade e honestidade (só assim é possível). Um percurso construído passo a passo.
Ao longo destes anos foram inúmeras as horas de formação, supervisão e psicoterapia pessoal - pilares fundamentais no desenvolvimento enquanto pessoa e enquanto profissional. Neste caminho, que passou pela psicodinâmica e, com o tempo, foi derivando para aquilo que hoje integro na minha prática clínica, houve também momentos em que senti uma insatisfação interna que me levou a fechar capítulos que já não faziam tanto sentido para mim. Não foi um processo simples, até porque implicava deixar para trás um modelo em que investi quatro anos de formação, supervisão e psicoterapia. Nunca é uma decisão fácil. Num primeiro momento pode até surgir a sensação de que se está em falta. Mas, tal como acontece com os livros que lemos, nem todos os capítulos precisam de continuar indefinidamente. Por vezes escolhemos fazer diferente e procurar aquilo que nos permite crescer e aprofundar o nosso trabalho.
Hoje abraço as escolhas que fiz nesse momento de mudança: a abordagem EMDR, o Brainspotting, os estados modificados de consciência na prática clínica - com um carinho especial pela hipnose clínica -, a Somatic Experiencing e o trabalho com estados do ego.
Ao longo deste percurso houve também experiências marcantes, como a contribuição para uma tese de mestrado onde adaptei o protocolo OBE e procedi à sua aplicação no estudo de uma experiência fora do corpo induzida por hipnose, observada através de ressonância magnética funcional.
Entre formações, investigação e prática clínica, uma coisa permanece constante: a sensação de que este caminho continua em construção.
Talvez seja assim que melhor posso descrever o que é ser a Ana:
uma pessoa que escolheu ser psicóloga e que continua, todos os dias, a construir esse caminho.

