A infância não fica para trás
“A infância é um chão que pisamos a vida toda.” — Lya Luft
As experiências relacionais vividas na infância influenciam profundamente a forma como pensamos, sentimos, reagimos e nos relacionamos ao longo da vida adulta.
Uma parte significativa da nossa forma de estar no mundo é organizada por essas experiências precoces, que permanecem psicologicamente ativas através das crenças que desenvolvemos, das estratégias de adaptação que aprendemos e da memória emocional implícita.
O ambiente em que crescemos molda os nossos padrões automáticos de resposta. Nem sempre esse ambiente promove escuta, presença, limites claros, afeto e segurança indo de encontro às reais necessidades da criança. Por isso, muitas vezes, já em adultos, conseguimos reconhecer racionalmente que determinada reação foi exagerada ou desadequada, mas ainda assim sentimos dificuldade em agir de forma diferente.
Quando crescemos em contextos onde tivemos de agradar para receber amor, reprimir emoções para sermos aceites ou aparentar estar sempre bem para não preocupar, desenvolvemos estratégias de sobrevivência que podem continuar presentes na vida adulta.
Assim, quando uma situação atual desperta emoções muito intensas ou aparentemente desproporcionais, isso pode significar que uma experiência antiga foi ativada e está a influenciar a forma como interpretamos e vivemos o presente.
O primeiro passo para a mudança é desenvolver consciência sobre os próprios gatilhos emocionais. A partir daí, aprender a autoregular e tornar possível uma maior flexibilidade na gestão dos diferentes estados emocionais, promovendo a integração emocional e construir uma relação interna mais segura, compassiva e autêntica.
Que a tua criança interior possa ser cuidada com todo o carinho e amor que merece!

