Comparação: Quando tu és o teu pior inimigo
O que fazes a ti próprio quando te comparas com os outros?
É certo que a comparação entra bem cedo na nossa vida e, de algum modo, tem a sua função na organização do mundo através do contraste. Na escola, aprendemos o que é maior ou menor, o que é mais rápido ou mais lento, entre tantas outras referências.
Também no plano psicológico, a comparação pode ter uma função importante. Existe uma tendência natural para avaliarmos as nossas próprias capacidades, e isso pode ser útil quando utilizado como autorreferência - ao observares a tua evolução face às tuas próprias metas e ao teu percurso.
Contudo, facilmente se torna um ingrediente para o sofrimento psicológico quando passa a ser a métrica que determina o teu valor pessoal, tendo por base o outro e o exterior.
Nesse momento, tornas-te o teu pior inimigo.
Deixas de honrar o teu percurso de vida, invalidas o teu ritmo, as tuas escolhas pessoais e as circunstâncias que realmente viveste.
O impacto pode ser avassalador em termos emocionais, surgindo frequentemente ansiedade, tristeza, vergonha ou inveja. Ao nível cognitivo, favorece pensamentos automáticos de desvalorização e incapacidade, como: “existe algo de errado comigo”, “não sou suficientemente bom” ou
“não vou ao encontro das expectativas”.
Em termos comportamentais, pode gerar dois extremos igualmente prejudiciais: a procrastinação - quando a pessoa adia ou desiste por se sentir incapaz - ou o perfeccionismo, quando tenta compensar a sensação de inferioridade através de um desempenho irrepreensível.
Qualquer um destes extremos alimenta um estado persistente de inadequação: nunca se é suficientemente competente, atraente, produtivo ou bem-sucedido.
Olha para o lugar em que te colocas.
Muitas vezes, nem te apercebes do que fazes a ti próprio nesses momentos: diminuís o teu valor, ignoras o caminho percorrido e transformas as tuas conquistas em algo insignificante. Fragilizas a relação contigo próprio ao abandonares a tua individualidade. E deixa que te diga: só tu conheces verdadeiramente a tua história de vida e os desafios que enfrentaste.
Olha para dentro. Cuida do que realmente importa. Transforma esta vulnerabilidade numa oportunidade para te conheceres melhor.
Valoriza a tua essência.

